Vencedora do BrNTM, a gaúcha Camila Trindade encara todas pelo sonho de emplacar como supermodelo
Ela chegou ao Brazil’s Next Top Model exibindo cabelos quase na cintura, teve de reduzi-los para um terço do que eram e, ao ser fotografada para a capa de Gloss (um dos prêmios pela vitória no programa exibido pela Sony), enfrentou de novo a tesoura, dessa vez para ganhar uma franja curtíssima e moderníssima bem no meio da testa. Camila Trindade tremeu a cada tesourada, fez cara de quem não gostou, mas, profissional, disfarçou com um sorriso de concordância e uma frase em bom gauchês: “Estou tri-legal”. O tamanho da vontade de ser modelo da vencedora da terceira edição do reality show é inversamente proporcional ao da franja recém-adquirida. Aos 20 anos, essa porto-alegrense promovida a top model ainda estranha “as roupas e maquiagens malucas” que o ofício a obriga a usar, mas encara na boa o desafio de emprestar o corpo às esquisitices. “O que me ajudou a vencer foi justamente ter disposição para tentar superar a mim mesma e paciência para ouvir críticas”, analisa.
Camila também teve paciência para guardar um segredo de US$ 3 milhões. Era esse o valor da multa determinada pelo canal Sony para evitar que qualquer profissional ligado ao BrNTM divulgasse seu resultado antes da exibição do episódio final. Selecionada para participar do programa em cima da hora – no lugar de uma candidata que desistiu –, ela ficou em São Paulo
por dois meses, venceu o jogo e voltou para Porto Alegre por três, durante os quais se via na TV e sonhava com as conquistas pós-divulgação da vitória. Nesse período, retomou a vidinha de atendente de farmácia na cidade (no caso, a farmácia é um negócio de família há 25 anos). “Uma tia minha é dona do lugar, supertradicional no centro. Eu de vez em quando vou para lá ajudar. Por causa disso, até resolvi fazer faculdade de farmácia, mas tranquei no segundo ano”, conta a balconista-modelo “filha de três mães” (a verdadeira, a avó e a tal tia).
O pai, Camila nunca conheceu e dele só sabe o primeiro nome: Giovani. “Eu sinto como se tivesse nascido de inseminação artificial. Minha mãe engravidou de um namorado quando tinha 20 e poucos anos e o cara não assumiu.” Ela garante que nunca quis saber muito sobre a figura paterna que lhe deixou de herança um patrimônio genético valioso (afinal, graças a ele Camila veio ao mundo com traços e altura de modelo). “Não senti falta de um pai porque na verdade tive dois: o meu avô e o meu tio”, explica ela, que carrega com muito orgulho o sobrenome do avô materno.
Superligada em sua grande família e no namorado com quem está há quatro anos, Camila sofreu de saudade no período em que esteve confinada na casa-cenário do BrNTM, que na terceira edição foi diversas vezes campeão de audiência e de disse-que-disse entre as participantes. “Por causa do clima de competição, era difícil fazer amizades reais. Tentei ficar na minha, não me envolver em confusão.”
Camila agora se prepara para viver mais tempo longe dos seus amores – em março, se muda para São Paulo de vez. Nos últimos meses, tem feito um test-drive de viver na capital paulista, “andando para lá e para cá de ônibus”. Por “lá” leia-se a casa de uma amiga na qual tem se hospedado. Por “cá”, a agência Ford, da qual ela agora faz parte. “Quando não tenho trabalho, fico na Ford vendo revistas de moda. É um jeito de me informar”, diz. Numa de suas andanças de ônibus por São Paulo, Camila foi reconhecida. “Ouvi gritarem o meu nome e olhei para trás. Pensei: ‘Devo estar caduca, ouvindo vozes’. Mas o grito era de verdade, de uma espectadora do programa que quis me desejar boa sorte.” A gente faz coro: Boa sorte, Camila!
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