
Líder protestante, fiscal de lixeiros, empilhador de caixas. Danilo Gentili foi isso tudo. Mas, graças a Deus, se achou na pele do entrevistador mais doidão da TV
Camisa por fora da calça, mão no bolso, marcas de batom pelo corpo e pose de pegador. Quem vê aí ao lado o repórter do programa CQC Danilo Gentili, 30, fazendo cara de sexy nem suspeita: um dia ele quis ser pastor. Com 20 anos, era líder de jovens de uma igreja batista e, pasmem, pregava sobre a importância de se casar virgem. Sempre irreverente com o microfone nas mãos, costumava levar broncas dos superiores religiosos por subverter a liturgia fazendo piadinhas.
Mas a vida santa não durou muito. Uma vez ele pegou carona em uma caravana de fiéis rumo a um show da Igreja Renascer chamado S.O.S. Vida. Quase no final do evento o bispo Estevam Hernandes pediu aos seus seguidores que mostrassem as faixas com mensagens cristãs. Danilo levantou um banner: “$O$ Vida” (o “O” era um desenho de uma moeda). A provocação tirou Hernandes do sério. “Veeeio, ele falou para todo mundo jogar pedra e rasgar a minha faixa”, relembra Danilo. Felizmente ele sobreviveu ao ataque dos religiosos, mas a carreira de pastor terminou ali.
Que há algo de insolente na forma como Danilo encara a vida todo mundo já sabe – ou pelo menos quem já assistiu às suas investidas no CQC ou suas apresentações em comédias stand-up. Até quando fala da família ele esculacha: “Faz doze anos que eu não falo com o meu pai”. Por quê? “Porque ele morreu (risos).” Aos 18 anos, Danilo viu seu pai morrer de infarto em seus braços, na entrada de um hospital. Seis meses depois, sua irmã mais velha morreu em um acidente de carro. “Sofri bastante com essas tragédias, mas elas acontecem nas melhores famílias”, filosofa Danilo, desviando o olhar e mirando o chão.
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