Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um ladrão de sonhos. Entra no sonho das pessoas durante o sono e rouba informações, pega senhas e segredos. Mas ele está cansado dessa vida bandida. E o passado do rapaz o condena: ele carrega a culpa da morte de sua mulher. A certa altura, recebe uma proposta de trabalho que, se bem sucedido, livrará sua condenação e o levará de volta para casa – tudo o que ele mais quer na vida.
Aí você pensa: “dur, já entendi o final do filme”. Não. “A Origem” te surpreende pelos mínimos detalhes de efeitos visuais, pela boa atuação de um elenco feito de grandes estrelas e por cansar. Sim, a surpresa de um filme que tinha tudo para ser absolutamente sensacional – e vai por água abaixo – é que ele tem um roteiro que não se sustenta. 
O problema do filme (que estreia no Brasil hoje, dia 6), dirigido pelo elogiado Christopher Nolan (mesmo diretor de “Batman Begins”), é que Dom Cobb entra em um sonho. Depois entra em um sonho dentro do sonho. E depois em outro sonho dentro do sonho que já estava dentro do primeiro sonho.
Ou seja, você se perde em cenas de ação e boas filmagens. Mas de que valem sequências excelentes se você está perdido, cansado e sem vontade de acompanhar? Acrescente aí o fato do filme ter 2h28m. É sonho dentro de sonho que não acaba mais!
A melhor amiga do espectador é Ariadne, interpretada pela ótima atriz Ellen Page (“Juno”). Quando você não está entendendo, Ariadne também não está. Ela faz as mesmas perguntas que você gostaria de fazer e te esclarece um bocado de coisas. Infelizmente, a menina passa a entender tudo no meio do filme. A partir daí, você fica sem ajuda. E é exatamente quando começa a parte frenética do longa – diga-se de passagem, o mais esperado do ano. 
Apesar do filme tedioso, o elenco ajuda bastante. Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine, Tom Hardy, Cillian Murphy e a linda Marion Cotillard estão ótimos em seus papéis. Marion, inclusive, junto com Ellen Page, são fundamentais para a história ficar menos exaustiva.
“Inception” (no original) está há três semanas no topo da bilheteria dos EUA, atingindo cerca de US$194 milhões – apenas nas bilheterias americanas! Vai superar fácil os US$200 milhões gastos – quantia tão alta, segundo Nolan, por conta das filmagens em seis países (Canadá, Inglaterra, Estados Unidos, Marrocos, França e Japão).
No final, a impressão que fica é de um diretor genial, um elenco incrível, efeitos visuais encantadores, trilha sonora bem feita e um roteiro cansativo. “Inception” está mais para deception.
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