
Letícia Birkheuer entrevista Betty Lago e arranca frases hilárias sobre manias, tratamentos estéticos e preconceito contra modelos que viram atrizes. "Já esperam algo ruim de quem é bonita!", diz Betty
Letícia - Ouvi dizer que você só viaja de avião na primeira fila. Tem alguma outra mania além dessa? (risos)
Betty - Ih, tenho muitas manias. Uma delas você vai ver agora. Eu peço café e não tomo (risos). Dou um golinho só. O café fica frio, acabo pedindo outro. Na verdade, gosto do cheiro. E tenho mania de sapatos, bonés, relógios, revistas, muitas revistas. Confesso que é esquisito... Eu era mais livre quando achava que não colecionava nada! Nos aviões, gosto mesmo de ser a primeira a sentar e a sair. Ah, mas é na ponte aérea, tá?! (risos). Pelo amor de Deus, não vai me destruir nesta entrevista, hein? Olha a rivalidade...(risos)
Letícia - Você é a favor de envelhecer naturalmente ou de apelar para a medicina estética?
Betty - De envelhecer naturalmente, mas não dá para deixar o reboco do teto cair, né? Eu não fiz plástica, mas se um dia precisar... Tenho pânico porque olho para a cara dessas mulheres que fizeram cirurgia, todas estão "made in Xangai", com a pele toda esticada. Por enquanto, acho que não preciso. Mas, como sou pretensiosa, pode ser que eu esteja me achando linda e esteja um bagulho (risos).
Letícia - Qual o papel que mais gostou de representar ?
Betty - O mais legal foi Carlota Joaquina, na minissérie Quintos dos Infernos, em 2002. Um trabalho que exigiu muito de mim e foi supergratificante. Já Anos Rebeldes foi importante por ter sido o primeiro na televisão e pela minha readaptação ao Brasil, depois de anos trabalhando fora como modelo. A minissérie teve uma repercussão enorme, serviu como uma catarse naquele período do pedido de impeachment do Collor, dos caras-pintadas nas ruas.
Letícia - Com qual diretor você gostaria de trabalhar?
Betty - Com vários. E muito com Luiz Fernando Carvalho. Mas, provavelmente, ele nunca vai me chamar. Deve pensar que modelo/manequim não atua!
Letícia - Realmente, alguns diretores têm certa desconfiança. Eu já senti algo do tipo "Vamos ver primeiro se ela faz direito..."
Betty - É, ouvi muitos comentários sobre você durante a novela Belíssima. Diziam: "Nossa! Sabe que ela fez direitinho?". Você surpreendeu as pessoas. Ou seja, já esperam algo ruim de quem é modelo e bonita. Mas tudo depende do talento e do quanto você coloca de esforço naquele trabalho.
Betty - Ah... Fiquei curiosa, também quero perguntar. O que fez você querer fazer novela, mesmo estando no auge da sua carreira de modelo internacional?
Letícia - Eu estava cansada. Foram onze anos como modelo, oito em Nova York. Estava lá praticamente por causa do dinheiro. Depois de um dia de trabalho, chegava em casa arrasada. Queria voltar para o meu país, ficar perto da minha família, ir à praia, andar de chinelo, tomar uma cervejinha com os amigos. Mas não iria voltar para ficar à toa, só ir à praia. Então, veio a chance de fazer novela com atrizes como a Fernanda Montenegro e a Glória Pires. Aí fiz o teste, passei e pensei: "Se der errado, pelo menos eu tentei. Se me julgarem, dizendo que sou péssima atriz, paciência". Não tenho medo de errar. Quem tem medo de errar, nunca vai acertar na vida.
Betty - Como é sua personagem na novela?
Letícia - É uma enfermeira vilã.
Betty - Adoro vilãs, elas são muito melhores. São tudo de bom!
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