
A história de jovens mulheres que enfrentaram a estranha loteria da fila de espera por um órgão
"Aeee! O meu coração chegou!”, digitou em seu celular a advogada Ana Carolina Moreira, 28 anos, em mensagem para 200 pessoas em junho de 2007. Com a mesma empolgação, a gerente de uma perfumaria Patrícia Vita, 29, comemorou, em outubro de 2006, o rim doado por sua mãe, que considerava a prática de transplante anti-bíblica. Católica praticante, a professora de natação Melissa Valente, 29, teve as preces atendidas quando, em fevereiro de 2007, um novo pâncreas e rim – doados por um garoto de 17 anos – deram fim a 22 meses de hemodiálises.
Antes de ganharem uma nova chance de vida, essas três mulheres representavam o extrato de milhares de jovens que, apesar de terem à sua disposição técnicas avançadíssimas e aparelhos ultramodernos, vivem um drama medieval na fila de espera por doações de órgãos. É uma situação estranha. Para poder usufruir os enormes avanços da medicina, essas pessoas precisam contar com incríveis lances de sorte.
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